Cinquenta tons de quê?

eu-tentei-gostar-de-50-tons-de-cinza.htmlNão seria incoerente o público feminino aclamar o longa Cinquenta Tons de Cinza sabendo que aqui no Brasil é crime bater em mulher? Será que todas elas se renderam a cultura de massa e se esqueceram completamente da árdua batalha que foi conseguir uma lei que as protegessem contra a violência doméstica?

Está certo que também não podemos viver na base da hipocrisia como um crente fervoroso e apontar o que é certo e errado, mas tente ao menos raciocinar a lógica da indústria cultural, que visivelmente manipula qualquer pessoa a apenas a aceitar e obedecer tudo que é jogado para nós.

O filme, que é baseado no Best Seller da inglesa Erika Leonard James, retrata uma mulher com todas as características estereotipadas na visão de uma sociedade machista. Ela é simplesmente perfeita para (quase) todos os homens: universitária, virgem, insegura, frágil e submissa em todos os sentidos.

Grande parte das meninas cresce com aquele costume antigo ensinado pela mãe/ avó: “homem não gosta de mulher fácil”, eles preferem aquelas que não abrem o jogo e que não dão mole até que eles façam por merecer. Chego a pensar como um conceito tão antigo e conservador conquista tantas mulheres desta forma?

maria-da-penhaEm pleno século XXI as garotas devem estar com os cabrestos muito apertados, pois sequer enxergam que elas não estão aqui para agradá-los. Não somos itens descartáveis, alvos de umas boas palmadas ou chicoteadas somente para desejo sexual. A real é que estão dando muito IBOPE para um enredo que é simplesmente ‘mais do mesmo: um dominador e uma submissa, uma dupla nada rara na sociedade em que vivemos.

Quantos casais são exatamente assim nos dias de hoje? O homem trabalha, a mulher cozinha, o homem manda, a mulher obedece, o homem trai, a mulher finge não saber só para não estragar o casamento. A pergunta que fica é: porque lançam uma história clichê e todos abraçam sem sequer ler/ assistir com o senso crítico?

Talvez seja mais fácil aceitar algo que já é aceitável do que questionar o que ainda não aceitamos. Será que se fosse uma história erótica entre dois homens ou duas mulheres as pessoas lotariam as livrarias e bilheterias da mesma forma? Visivelmente a hipocrisia ainda paira no ar. E o que podemos fazer? Abaixar a cabeça mais uma vez?

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